As transformações, os desafios e as oportunidades trazidas pela inteligência artificial para o ambiente escolar e acadêmico pautaram as discussões do I Encontro Potiguar de Educação e Inteligência Artificial. O evento ocorreu nesta quinta-feira (13), na sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Norte (Sebrae-RN), em Natal.
Reunindo especialistas, gestores públicos, empreendedores e pesquisadores, o encontro debateu os impactos éticos, pedagógicos e estratégicos da inteligência artificial (IA) em todos os níveis de ensino — da educação básica à superior e profissional.
A iniciativa, que teve como tema “Educação na Era da IA”, foi promovida pela Câmara Temática de Educação da Governança IA para o Rio Grande do Norte e visou a preparar as instituições e os profissionais do estado para o novo cenário digital.
Segundo Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae-RN e coordenador da Governança IA para o RN, o objetivo do encontro foi levar conhecimentos para quem trabalha na área de educação sobre os desafios e as oportunidades da tecnologia para a área.
“Estamos tratando do futuro, tratando dessa criança que está na educação infantil, do jovem que está no fundamental e no médio e daquele que está no ensino superior, tanto nas escolas privadas quanto nas instituições públicas, discutindo de forma ampla os impactos da IA na educação”, afirma Carlos von Sohsten, para quem a IA pode trazer impactos positivos e negativos na formação dos jovens.
Sérgio Branco, cofundador e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), afirma que a IA mudou a forma como os alunos aprendem e como os professores ensinam. “Torna-se não só mais fácil o estudo, mas torna-se também muito mais fácil tentar enganar”, adverte o palestrante.
Para ele, é preciso governança no uso de IA, com regras claras, “para definir quais são as ferramentas que podem ser usadas, como as ferramentas vão ser melhor utilizadas para que não haja problema, para que não haja conflito entre a ética no uso das ferramentas de inteligência artificial e os resultados que elas podem propiciar”.
O secretário municipal de Educação de Natal, Aldo Fernandes de Sousa Neto, avalia que participar do evento foi uma oportunidade para debater o futuro da educação. “A inteligência artificial deve ser uma aliada da aprendizagem, sempre valorizando o papel insubstituível do professor e colocando o estudante no centro do processo”, afirma o secretário.
A realização do encontro integra as ações da Governança IA para o RN, iniciativa articulada pelo Sebrae-RN que reúne universidades, instituições públicas, centros de pesquisa, órgãos de justiça, entidades de classe e representantes da sociedade civil para promover uma estratégia colaborativa de desenvolvimento da inteligência artificial no estado. O encontro teve cerca de 300 inscritos.
Jéssica Figueredo, presidente da Câmara Temática de Educação da Governança da IA para o RN, avalia que a tecnologia trouxe “tantas possibilidades, mas também tantos desafios para a educação”.
Entre as dificuldades, a professora da Universidade do Estado do RN cita a necessidade de educar para um uso correto e ético da IA, bem como estabelecer os limites e as possibilidades dela. Esse entendimento deve contribuir com o cenário educacional e mitigar eventuais problemas na cognição dos estudantes.
“Há alunos que acreditam que as ferramentas sejam simplesmente para copiar e colar”, afirma Jéssica Figueiredo. “Ferramentas de IA precisam estar inseridas também no contexto de formação dos docentes”, diz.
Sérgio Branco, do ITS Rio, defende um modelo em que o uso da IA seja tratado da mesma forma que o uso das redes sociais, por exemplo, para o qual existem regras – por exemplo, muitas redes têm limites de idade que proíbem o uso por crianças. Além disso, para o especialista, é preciso que os pais orientem os filhos sobre o uso da IA.
A tecnologia pode ser usada para melhorar a qualidade do estudo e do aprendizado, mas não pode substituir o esforço dos estudantes, diz. Ele cita o projeto de lei nº 2338/2023, que tramita na Câmara dos Deputados e visa regulamentar o uso de inteligência artificial no Brasil.
A regulação vem sendo debatida no país de forma ampla, mas Sérgio Branco defende que a educação seja tratada de forma setorial, em seus diversos níveis.
“Precisamos que a comunidade acadêmica, que envolve também os pais, crie suas próprias regras, faça essa autorregulação. A tecnologia avança muito rapidamente, e os problemas que a gente tem hoje talvez sejam potencializados no futuro. Precisamos sentar, debater, criar regras e aplicar essas regras”, acrescenta o especialista.
Para o Sebrae-RN, a programação reforça o compromisso da Governança IA para o RN em estimular a construção de políticas, projetos e ações colaborativas para acelerar a transformação digital em diferentes setores da sociedade, tendo a educação como um dos pilares desse processo.
Tribuna do Norte