A redução da inadimplência no Rio Grande do Norte não significa alívio para o consumidor. Apesar da queda no número de pessoas com contas em atraso, o alto nível de endividamento e o crescimento de casos de negativação indevida mantêm o cenário de atenção.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontam que a taxa de inadimplência no estado caiu para 29,9% em fevereiro de 2026, uma redução de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
Por outro lado, o endividamento segue elevado: 84,6% das famílias potiguares possuem algum tipo de dívida, o que compromete a renda e aumenta o risco de novos atrasos — além de ampliar a exposição a problemas como a negativação do nome.
Cenário de pressão e transição
O momento é considerado de ajuste econômico. A queda da inadimplência indica um esforço das famílias para reorganizar as finanças, enquanto o alto nível de endividamento mostra que o orçamento ainda está pressionado.
Fatores como renegociação de dívidas, despesas típicas do início do ano e maior cautela no uso do crédito ajudam a explicar o movimento. Ainda assim, juros elevados e custo de vida alto dificultam uma recuperação mais rápida.
RN é o 2º do Nordeste com mais famílias endividadas
No Nordeste, o Rio Grande do Norte segue entre os estados com maior percentual de famílias endividadas. Em fevereiro, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, pelo menos 50,44% dos potiguares possuíam dívidas. Apenas o Ceará (51,71%) tinham mais gente endividada. Na sequência, aparecem Pernambuco (50,28%), Alagoas (46,74%), Maranhão (45,86%), Sergipe (43,95%), Bahia (43,61%), Paraíba (43,53%) e Piauí (40,76%).
Situações mais comuns
- Entre os casos mais recorrentes estão:
- Cobrança de dívida já quitada
- Dívida inexistente por erro de sistema
- Negativação por contrato não reconhecido
- Uso indevido de CPF em fraudes
- Manutenção do nome negativado após pagamento
O que fazer ao identificar o problema
Ao descobrir uma negativação indevida, o consumidor deve agir rapidamente:
- Verificar a origem da dívida
- Registrar contestação no SPC ou Serasa
- Notificar formalmente a empresa responsável
- Guardar provas e documentos
Caso não haja solução, a orientação é buscar apoio jurídico.